O Portal
Transcomunicação Instrumental
Informativo: Janeiro de 1997
Ano 1 - Número 3

? A MÁQUINA QUE PODE FALAR COM OS MORTOS
(texto de Luciano Garibaldi - retirado da Revista Planeta nº 44, maio de 1976)
A inquietante dúvida de que os mortos possam continuar a pensar e a se exprimir foi levantada pela primeira vez por Raudive, em 1964. Mas já em 1936, Olivier Lodge havia previsto uma máquina eletrônica capaz de realizar esta comunicação com o além. Esta matéria foi feita com os trabalhos desenvolvidos pelo padre Leo Schmid, pároco católico no Cantão suíço de Aargau. Ele é um professor de ciências biológicas na cidade de Friburgo e autor de várias obras teológicas, citadas até mesmo nos concílios do Vaticano.
"O que está fazendo N.N.?"
"Está descansando com sua esposa."
"Que podemos fazer por N.N.?"
"rezar."
"vovô você está aqui?"
"Sim, estou a seu lado."
"No que lhe posso ser util, Madalena?"
"A missa me pode ajudar."
Estes "diálogos com os mortos" estão registrados na fita magnética do reverendo Leo Schmid, pároco italiano de Oeschgen (cantão suíço de Aarau), professor de ciência e biologia da Universidade de Friburgo, autor de importantes obras teológicas citadas até no
Concílio Vaticano II. Segundo ele, "trata-se de pessoas que foram meus paroquianos".
Mesmo a Santa Sé, conforme revela Leo Schmid, está interessada, pela primeira vez em sua história, neste fenômeno. Tanto que abriu um curso regular de parapsicologia para sacerdotes sob o título: Introductio in scientiam phenomenum paranormalium. A inquietante dúvida de que os mortos possam continuar a pensar e se exprimir foi levantada pela primeira vez por Konstantin Raudive, em 1964, professor de psicologia e filosofia em Paris, Uppsala e Edimburgo. Raudive, após três semanas de tentativas, pensando intensamente em Margarete, morta havia pouco tempo, conseguiu gravar esta frase pronunciada pela voz da moça: "Konstantin kennt margarete" (Konstantin conhece Margarete), e, logo depois, com outro tom: "Nós estamos muito longe".
"Com aquele episódio" - declara o engenheiro Mancini-Spinucci, organizador do convênio de Caldarola sobre "vozes do desconhecido" que reuniu por três dias estudiosos do fenômeno de toda a Europa - "abriu-se pela primeira vez na história humana a possibilidade de uma verificação pratica da existência da vida após a morte. Em fins de 1936, sir Oliver Lodge, físico e prêmio Nobel, havia previsto que, graças aos rápidos progressos da eletrônica, seria inventada uma máquina capaz de dar ao homem a possibilidade de receber as vozes dos defuntos."
Nos últimos dez anos, centenas de milhares de vozes diferentes foram registradas e identificadas por pesquisadores de todo o mundo. Mas, enquanto nas universidades, nos laboratórios de física e eletrônica, o fenômeno vem sendo estudado de um ponto de vista rigorosamente racional (isto é, com possibilidade de "capturar" vozes, sons e imagens do passado, em outras palavras, a "máquina do tempo"), a experiência do professor Raudive, a do padre Schmid e, em geral, a de todos os que pertencem à corrente "animista" da parapsicologia, queriam demonstrar que os mortos estão sempre vivos à nossa volta e têm possibilidade de se comunicar conosco. Realidade ou superstição? Reflexo material de eventos que se verificam no subconsciente, ou, como afirma o professor Paul Keller, "descoberta muito mais importante que a da física nuclear enquanto estabelece um contato com uma outra dimensão"?
Eis o que diz padre Schmid: "Já faz quatro anos que me ocupo do fenômeno das vozes no registrador. Em outros seiscentos experimentos com microfone, díodo, rádio e psicofone, consegui captar e verificar cerca de 12 mil destas misteriosas vozes. Elas entendem que a mim, sacerdote católico, no âmbito deste fenômeno interessam todas as outras coisas que não são as de que se ocupam os técnicos, os físicos e os psicólogos. Para mim, não estão em primeiro plano as condições técnicas e físicas destas vozes, mas, antes o seu conteúdo. Qualquer registro tomado isoladamente, diz relativamente pouco".
"Em primeiro lugar", prossegue o padre Schmid, "devo precisar que as vozes registradas no meu experimento fazem uso principalmente do dialeto suíço-alemão, intercalado de expressões e locuções que na moderna língua falada não estão mais em uso. Além disso, aparecem até vozes em outras línguas que eu conheço: o suíço, o italiano, o francês e o inglês. E até em latim. Muitas vezes pude verificar até expressões em letonês e finlandês."
? Três casos excepcionais
Perguntaram-lhe se estas vozes não poderiam ser devidas à interferência de estações de rádios: "É absolutamente impossível", respondeu o padre Schmid. "Antes de tudo, porque as vozes respondem às perguntas; em segundo lugar, porque, com um filtro adequado, eu, como todos os outros pesquisadores, conseguiamos eliminar os registros de onda provenientes de estações humanas, e isto quer dizer terrestres. Qualquer estudante de física poderia dizer-lhe que com o uso de uma gaiola de Faraday, na qual se instala o magnetofone, é possível eliminar-se qualquer influência eletromagnética" Logo uma dúvida assalta qualquer pessoa: e se as vozes registradas são apenas uma projeção do subconsciente? Afinal, sabe-se que os olhos podem ver uma realidade normalmente invisível e, em condições estraordinárias, fotografá-la de verdade. Assim também os ouvidos podem escutar, sempre em condições de uma singular mutação do estado de consciência, o que não é normalmente audível - e registrá-lo.
A essa dúvida assim responde o padre Schmid:
"É muito difícil sustentar esta hipótese. De fato, acontece de um desconhecido se pôr a falar pessoalmente comigo, ou de logo me corrigir sua afirmação pelo meus fatos. Além disso, foi constatado que as vozes registradas em outra parte da Suíça eram de freqüências diferentes. Posso citar três casos interessantes. Estava se aproximando dos arredores de Lugano um turista, vítima de um incidente. Pois bem, no meu registrador, a mais de 300 quilômetros de distância, pude escutar alguma indicação topográfica precisa sobre a localização da vítima.
Um engenheiro de Milão me pediu por escrito se podia captar uma mensagem de seu filho David, falecido. De fato, entre as vozes registradas, veja, uma delas se anunciou com o nome de Davide e declarou brevemente, em italiano: "Abençoada flores brancas". O pai ficou muito estupefato e abalado com esta expressão, porque o filho defunto, em sonho, lhe havia pedido flores brancas. E ainda: sobre o pedido de uma senhora de Vallese, desejosa de conhecer o estado em que se encontrava seu pai, me foi possível sentir no registrador um particularíssimo rufor de tambor. Aquele homem, durante sua vida, havia sido um apaixonado tocador de tambor da banda do lugar.
Com informações mais precisas, soube que aquele som correspondia exatamente ao rufo e ao tambor usado por ele. Quanto mais estudos este fenômeno, tanto mais me convenço de que na origem destas vozes estão seres inteligentes, que não obedecem às nossas leis de tempo e espaço. É evidente que eles vivem em outra dimensão, em outro mundo. O doutor Raudive o chama de "anti-mundo", referindo-se claramente ao conceito físico de antimatéria, sem o qual não se teria podido descobrir a física nuclear. Seria muito comodo, e certamente não-científico, colocar todos estes fatos na inexorável, obscura sacola do inconsciente humano, onde tudo se dissolve como uma nebulosa, e, dessa forma, se libera de tudo o que não coincide com nossos conceitos convencionais."
? Alguém nos ouve
"As estatísticas", diz ainda o padre Schmid, "atestam que muitos critãos, sobretudo os católicos, duvidam de que exista uma vida ulterior pessoal, depois da morte. Em vez disso, quanto mais se aprofunda no fenômeno das vozes, tanto mais se impõe a convicção de que deve existir uma continuação da vida pessoal além-túmulo. Certamente, estas experiências, por enquanto, não servem como prova definitiva, mas poderão ajudar a tornar a crença mais fácil e compreensível a muitas pessoas que procuram e duvidam. Isto porque a Igreja não tem nada a temer de uma séria indagação da ciência sobre este fenômeno."
"A nossa fé cristã", conclui o padre Schmid, "nos diz que, através da oração, temos uma possibilidade verdadeiramente única de tomar contato com Deus, com seus anjos e santos; não só mas também com nossos parentes mortos. E todavia temos freqüentemente a impressão de que nossas palavras se perdem num espaço vazio. Como posso saber se alguém realmente escuta minhas palavras e se ocupa com meus desejos? Ora, estes experimentos com registradores nos demonstram que tal contato é mesmo uma realidade, que há de verdade alguém que escuta nossas palavras e as entende; que lê realmente os nossos pensamentos, antes mesmo de nós lhes darmos forma de palavra. É impressionante como as vozes insistem freqüentemente na prece. E pode ser ainda que, para algumas pessoas, seja terrível e inquietante o fato de estar cercado de seres invisíveis. eu, ao contrário, acho consolador e estimulante."
Com o padre Schmid e outros estudiosos que, como ele, afirmam conseguir manter diálogos com o mundo do além, o "mistério das vozes" entra numa dimensão difícilmente enquadrável na pesquisa científica e na ciência natural. Mas não devemos esquecer que vozes e sonhos, embora coordenados, não obstante seguramente provenientes de fontes extraterrestres constituem matéria de estudo para equipes universitárias inteiras. Este fenômeno já se tornou tão difundido que acabou por interessar até as grades industrias especializadas em eletrônicas.

? A palavra de um técnico
Em Caldarola estavam dois engenheiros eletrônicos que são altos diretores das seções de pesquisas de duas fábricas, uma italiana e outra holandesa (embora tenham deixado claro que tinham ido ao convênio "a título estritamente pessoal"). Chegaremos algum dia a fabricar os registradores capazes de gravar vozes de desconhecido? Um engenheiro de Viena, Frank Seidl, tem pronto um aparelho, o psicofone, adaptado seja ao estudo aprofundado dos hipersons e supersons, seja à captação de vozes não-identificadas.
Tudo isso faz pensar num escândalo e leva alguns a falar de especulação comercial. Mas não é a primeira vez que uma conquista científica é desfrutada comercialmente. Não foi assim com o telefone, com o rádio e a televisão? No momento, seja como for, parece que é suficiente um gravador de cassete normal para conseguir fixar as "vozes" na fita.
"Nós temos cinco técnicas de registro", diz o engenheiro Alex Schneider. docente de física em San Gallo, um dos participantes do convênio de Caldarola. "A primeira é a mais simples. Basta anexar um microfone a um magnetofone, como se fosse para uma gravação normal, apertar a tecla de gravação, fazer silêncio e esperar. A segunda técnica se utiliza de um aparelho de rádio. É suficiente ligar qualquer tipo de radiorreceptor com um magnetofone, inserindo a ligação a um fio de diodo, como para a recepção de qualquer tipo de programa de rádio. Costuma-se adotar uma antena curta, para regular o aparelho receptor entre duas estações transmissoras, e escolher um determinado período de silêncio numa estação emissora.
Dispondo de um pequeno radiotransmissor (terceira técnica), liga-se este diretamente à tomada da antena de um aparelho de rádiorreceptor e se sintoniza este último em qualquer comprimento de onda. A quarta técnica é a do diodo: liga-se o terminal de uma antena de cerca de 10 centímentros, através de um diodo, diretamente ao magnetofone. Finalmente, o goniômetro: é necessário utilizar um aparelho particular, com dois enrolamentos, entre os perpendiculares, e alta condutividade, com correntes magnéticas endireitadas."
"O uso da gaiola de Faraday", prossegue o engenheiro Schneider, "exclui qualquer interferência de radiotransmissor. Naturalmente, a instalação da gaiola requer uma competência técnica precisa, e mesmo a impermeabilidade da gaiola deve ser rigorosamente controlada antes da experiência. Para evitar o risco de vozes e sons já gravados precedentemente, é necessário adotar uma fita desmagnetizada. É necessário seguir escrupulosamente esta premissa, como eu fiz durante longos anos de estudo e pesquisa: não há dúvida de que a física não pode negar estes fenômenos, cuja existência já foi largamente demonstrada com critérios científicos.
Acerca da origem do fenômeno, eu sou um técnico e devo me limitar a dizer: é uma coisa incompreensível. Provavelmente nós ainda não tratamos de modo justo do espaço e do tempo, e talvez coloquemos o problema de modo errado." Schneider, que no ambiente parapsicológico é considerado um racionalista e positivista, prossegue: "É um fato que as mínimas energias em ação são suficiente para a verificação do fenômeno, mas insuficientes para o seu aprofundamento. Hoje em dia, nesse campo de estudo, não vi nada mais que pesquisas explorativas".

? AO INICIANTE
por Stil e Lázaro Sanches de Oliveira
Em primeiro lugar, somos todos iniciantes. Considerando que o ser humano se comunica com os seus entes queridos e outros desencarnados desde que pisou neste planeta, a Transcomunicação Instrumental (TCI) aconteceu há um segundo atrás. Os fenômenos de batidas nas mesas, com códigos para sim ou não, eram os avós dos diversos aparelhos que utilizamos hoje em dia para os contatos com o Outro Lado.
Certa vez perguntamos se podíamos chamá-los de "entidades", e a resposta foi outra pergunta: "Entidades?". Como se vê, até os primeiros termos de conversa não foram estabelecidos por completo. Há um longo caminho a ser trilhado, e você também pode integrar a rede internacional de transcomunicadores, mesmo sem se associar a nenhum grupo, nem trocar suas vozes ou avanços com outros colegas. Com o tempo, você vai perceber que o pesquisador tem todos os defeitos e qualidades de qualquer ser humano, e que o "privilégio" de falar com os "mortos" é geralmente usado como símbolo de status. Paciência! Quando o computador pessoal apareceu, os primeiros informatas pareciam brilhar no escuro, mas hoje em dia os meninos já mexem nos PCs antes de aprender a falar.
Entretanto, admitimos que há duas qualidades necessárias para um transcomunicador ser bem sucedido. A primeira pode ser treinada, é a tal capacidade de ouvir, distinguir os sons, por mais tênues que possam surgir. Parece fácil mas, mesmo para os autores, grande parte do material recebido se perde. A qualidade das vozes tem melhorado consideravelmente nos últimos anos, mas não há uma regra definitiva para coisa alguma.
A segunda é imponderável, trata-se da mediunidade. Muitos autores defendem a tese de que não é preciso ser médium para que eles se comuniquem. Aqui há muitos pontos a serem debatidos, inclusive a de que somos todos médiuns, em certas proporções. A grande maioria, e inclusive algumas vozes do Outro Lado, garantem que a energia do médium é usada durante as sessões de TCI. Ainda que o pesquisador esteja ausente da sala e que os gravadores estejam funcionando sozinhos. O tempo e o espaço parecem não representar muito para eles. Podemos comprovar em nós mesmos um desgaste mental intenso durante as gravações e também na escuta das fitas. Não temos idéia se a mediunidade exclui alguém, mesmo porque se eles tiverem necessidade de passar alguma informação, tomarão emprestada a energia de quem estiver mais próximo.
Cremos que você mesmo vai usar o que conhece e acredita. A TCI não é propriedade de nenhuma religião, apesar de parecer o campo ideal para os espíritas, pois envolve o ponto principal da doutrina, que é uma comunicação estreita com os que já se foram. Lembramos, no entanto, que a proibição desses contatos foi estabelecida pela Igreja Católica há séculos, e que a realidade dos contatos a tem feito recuar. O receio dos católicos é de que a TCI se transforme em outra seita... E não estão de todo errados. Neste fim de milênio as pessoas estão batendo as cabeças em busca de qualquer tábua de salvação. Os relatos horrorosos de tantos suicídios coletivos em busca de Jesus Cristo se multiplicam, mesmo em países com alto grau de alfabetização. Qualquer esquizofrênico com algum carisma pode arrastar uma multidão de adeptos para o túmulo.
Por outro lado, ATENÇÃO! O mau uso da TCI criará um enorme carma contra o transgressor. Por definição, as vozes são autênticas, e provém de seres altamente hábeis, que sabem como lidar com os do lado de cá. Outro cuidado que devemos observar é que as entidades podem ter ou não boas intenções, do mesmo modo que os "vivos"... A manipulação pelas vozes a um pesquisador mal avisado é extremamente fácil de acontecer, pois a posição de quem está aqui é de total inferioridade. Eles podem dizer o que quiserem, que a nossa tendência será quase sempre a de receber suas mensagens como verdadeiras. O uso apenas de um gravador (EVP) atinge tão somente o plano crosta-a-crosta, o nosso próprio ambiente invisível. O resultado é previsível, basta olharmos em volta. Não está mergulhado o mundo em sofrimento, angústia, frustrações, desejos, ódios, e também, amor, generosidade, solidariedade, compaixão, altruísmo e paz ? Esse mundo invisível é um espelho do nosso. A árvore se conhece por seus frutos. Seu ambiente será constituído pelo seu modo de pensar e agir... positiva ou negativamente.
O uso de rádios nas inter-estações diminui esse risco, mas não o elimina. Por mais que as entidades estejam aperfeiçoando os contatos, alguns zombeteiros e mal-intencionados podem interferir. Como piratas modernos. Não acredite em tudo o que ouvir, nem se deixe levar por conselhos contra as suas tendências, como você faria na Terra. Então, por que entrar para uma sociedade em que tudo o que você pode fazer é ficar paradinho ouvindo? Porque fora a constatação da sobrevivência da alma (o que já muda tudo na vida de uma pessoa), a experiência vai ajudá-lo a separar o joio do trigo.

? Expediente
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